segunda-feira, 23 de agosto de 2010

RESUMO DO LIVRO "O QUE É PEDAGOGIA?"

O livro “O que é pedagogia?”, de Paulo Ghiraldelli Jr, é dividido em oitos partes. Nele, o autor aborda a pedagogia desde os tempos remotos até os dias atuais, detalhando a sua importância em cada época e fase do desenvolvimento, além da sua abrangência e expansão em diversas áreas.
Na primeira parte da obra, “Pedagogia: Utopia, Ciência, Filosofia”, GHIRALDELLI trata das diversas conotações do termo pedagogia, a partir dos conceitos de pedagogia, educação e ciência da educação. A tese do autor é que, desde os tempos antigos, notadamente na Grécia antiga, a pedagogia vem sofrendo um processo distinto que busca uma definição intrínseca da sua compreensão, o qual aponta o papel fundamental da pedagogia, da sua função e da sua contribuição para a educação. Partindo da concepção de três filósofos, DURKHEIM, DEWEY e HERBART, que tentaram definir o conceito de pedagogia, GHIRALDELLI propõe uma compreensão sintética, concluindo que o termo pedagogia, na verdade, refere-se à teoria da educação.
Na segunda parte, “Pedagogia e Infância”, GHIRALDELLI procura delimitar o que é pedagogia nos dias atuais, principalmente no que concerne à melhor forma de educar uma criança. O autor, assim, procura explicar as novas formas metodológicas para solucionar e romper com alguns paradigmas sobre a educação infantil, além de posicionar-se em prol do abandono de velhos hábitos e da adoção de novas posturas para melhor atender às necessidades dos pequenos, inclusive citando diversos filósofos que contribuíram para esse novo entendimento, afirmando que o melhor modelo capaz de satisfazer e estimular as crianças é aquele que, efetivamente, respeita-lhes sempre o seu ritmo de aprendizagem.
Em “Pedagogia e Didática”, terceira parte da obra, GHIRALDELLI traça suas bases na utopia educacional, ciência ou filosofia da educação. Adentrando a área da teoria da educação, esclarece o autor quais os princípios e procedimentos que devem ser adotados na educação. GHIRALDELLI também trata de alguns métodos e fases das preparações das aulas. Assim, estabelece como deve ocorrer a aplicação, associação, apresentação e generalização, defendendo uma nova maneira de transmitir o saber, com base em um processo próprio da nova pedagogia, baseado justamente no mote “aprender a aprender”.
Em “Do Mundo Moderno ao Contemporâneo: A Questão do Sujeito e a Crise da Pedagogia”, quarta parte da obra, GHIRALDELLI afirma que a pedagogia está conexa ao sujeito, de modo que a subjetividade cria um campo de inquietação, o qual põe em crise a própria educação. Para GHIRALDELLI, mesmo a crise possui o seu lado bom, pois, de certa forma, esta ajuda a mudar nossa pré-concepções sobre qual a melhor forma de educar uma criança, a fim de que ela possa ser um indivíduo que atende às necessidades da sociedade e também em seu âmbito familiar. Ao abordar este tema, GHIRALDELLI deixa transparecer a idéia de que a pedagogia, assim como a educação, precisam recomeçar a partir de um novo ciclo, ciclo este que rompe peremptoriamente com tradição da educação humanista.
Na quinta parte, “Corpo e Consumidor: As Novas Figuras da Subjetividade à Disposição do Tecnicismo Pedagógico”, GHIRALDELLI procura demonstrar as tendências que predominam e se referem ao abuso da tecnicidade. Chega o autor à conclusão de que há, em nossa sociedade, o uso excessivo ou a supervalorização dos aspectos técnicos de algo, muitas vezes em detrimento do conjunto dos outros aspectos que possam caracterizá-lo, tais como aspectos políticos e filosóficos. Para o autor, essa nova tendência trouxe um novo ambiente caracterizado por profundas e freqüentes mudanças e pela necessidade de respostas cada vez mais ágeis, a fim de garantir a sobrevivência da organização, influenciando diretamente no perfil de seus colaboradores. As escolas, neste contexto, devem exigir de cada empregado uma postura voltada para o autodesenvolvimento e a aprendizagem contínua. Para isto, torna-se necessária a implementação de sistemas educacionais que privilegiem o desenvolvimento de atitudes, posturas e habilidades e não apenas a aquisição de conhecimento técnico e instrumental. O autor enfatiza a chamada identidade individual ou grupal e, não obstante, afirma que esta passa a depender, de certa forma, do corpo, notadamente do tipo físico de cada pessoa.
Em “Reflexões Metapedagógicas: Rorty e o Intelectual Ironista, Horkheimer e o Pessimismo”, partindo do referencial teórico de RORTY e HORKHEIMER, GHIRALDELLI traça a necessidade da formação de um aluno crítico e criativo, esta dependendo justamente da bagagem de informação adquirida e do domínio dos conhecimentos consolidados. Para GHIRALDELLI, as teorias de RORTY E HORKHEIMER possibilitam reflexões sobre a condição humana, convergindo para perguntas que afetam a população mundial, tais como as injustiças. É este o olhar, segundo GHIRALDELLI, daqueles que buscam o aprofundamento sobre o próprio conhecimento e sobre a nossa realidade, principalmente em direção à perfeição ou à felicidade, a chamada utopia educacional.
Na sétima parte do livro, “Reflexões Metapedagógicas: Adorno, Rorty e a Imaginação”, GHIRALDELLI trata da imaginação, por assim dizer positiva, presente na base teórica de RORTY, como algo que nos aumenta sensibilidade. Também trata da imaginação presente na obra de ADORNO e HORKHEIMER, para GHIRALDELLI, de base negativa, porque nos liberta da condição divina e nos traz de volta à condição humana, como ponto de partida educacional. O foco de GHIRALDELLI, nesta parte, diz respeito às questões pessoais, principalmente às que se referem às necessidades do homem e sua condição de ser errante, notadamente sobre aquilo que fazemos de pior, que é julgar uns aos outros a ponto de ver o mundo de forma tenebrosa.
Já na última parte do livro, “Pedagogia e Insensibilidade”, o escritor procura delimitar uma nova ótica mundial da pedagogia. Por esta visão, devemos olhar as transformações contemporâneas e utilizar o processo de integração para tentar identificar o aprendizado, sendo este, precipuamente, o papel do pedagogo. Deste modo, se a organização tenta moldar os comportamentos individuais às suas necessidades, cultura e valores, os indivíduos que nela trabalham, igualmente, tentarão influenciá-la com o intuito de atingirem maior satisfação pessoal e a realização das suas próprias necessidades.

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